Santos

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domingo, 3 de dezembro de 2017

Projeto lança revista em quadrinhos e 10 mandamentos contra o cyberbullying

Projeto lança revista em quadrinhos e 10 mandamentos contra o cyberbullying

  • 02/12/2017 17h06
  • São Paulo
Camila Boehm – Repórter da Agência Brasil
Os relatos de alunos de escolas públicas paulistas sobre o bullying vivenciado por eles nas redes sociais resultaram na publicação de uma revista em quadrinhos e na criação dos 10 Mandamentos contra o Cyberbullying. A iniciativa, que é do projeto Liga Acadêmica de Prevenção e Intervenção a Violência (Lapiv), da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), foi lançada nesta semana. 

cyberbullying é a agressão por meios virtuais, como redes sociais, muito comum na vida dos adolescentes. A revista em quadrinhos “Segredos do Meta – a verdade por trás das redes”, traz à tona os perigos decorrentes da prática a fim de conscientizá-los sobre os limites entre uma brincadeira e o cyberbullying, além de alertá-los sobre segurança na internet.
No projeto do Lapiv, estudantes de enfermagem e medicina, coordenados por profissionais da universidade, realizaram atividades com alunos de escolas públicas, a partir de 11 anos, sobre o problema. O projeto surgiu em 2013, por iniciativa da médica psiquiatra da Unifesp Sara Bottino, quando teve conhecimento do número de suicídios e tentativas de suicídio que estavam associadas a fenômenos de agressão nas redes sociais. Entre as atividades do projeto, há rodas de conversa sobre as vantagens e desvantagens do uso das redes sociais e dicas de como os estudantes podem se proteger na rede.
“Percebemos que os adolescentes usam as redes sociais e eles não têm nenhum mecanismo de controle sobre o que eles postam, sobre as pessoas com as quais eles compartilham notícias pessoais e, às vezes, até informações sobre endereço e sobre o que fazem. Então temos um roteiro de discussão que começa a partir daí”, disse Sara.
Nas conversas, os estudantes também são levados a refletir sobre os riscos de uma aparente brincadeira entre colegas virar um problema grave. “Às vezes, eles começam com uma brincadeira na rede, que eles chamam de 'zoação', e muitas vezes não sabem o impacto que isso tem para quem está sendo 'zoado'. O limite entre o que é uma brincadeira e como esta pode ser vivenciada pela vítima pode ser muito diferente”, explicou.
Uma atividade importante do projeto é o encontro em que os adolescentes falam sobre seus gostos, rotinas e preferências em diversas áreas. “Mesmo sendo diferentes, eles percebem que têm coisas em comum. Eles concluem 'por que vou fazer bullying com essa pessoa, se tem um pouco de mim nela e um pouco dela em mim?'”, disse Victoria.A estudante de enfermagem da Unifesp, Victoria Nery, que participa do projeto, ressaltou que o objetivo das atividades é reduzir a violência nas redes sociais dos adolescentes em geral, não apenas daqueles que frequentam as escolas integrantes do projeto. Segundo ela, a publicação da revista em quadrinhos é um meio para que essa conscientização continue para além dos muros dessas escolas.
Além disso, ela ressaltou que muitas pessoas não têm noção de que a rede não é um ambiente totalmente seguro. “Eles ficam bem impressionados quando falamos que já houve vários casos de suicídio, que as pessoas param de ir para a aula, têm decréscimo em relação a notas, perdem amigos, então eles começam a ver realmente o que isso causa”, disse.
Mandamentos
O grupo da Unifesp desenvolveu os “10 Mandamentos contra o Cyberbullying”, presentes na revista em quadrinhos. Entre as recomendações estão não responder quando estiver com raiva, guardar evidências de agressões, evitar compartilhar informações pessoais com desconhecidos, pedir ajuda a pessoas de confiança e bloquear o agressor, por exemplo. O último deles é “não se torne um agressor”.
Segundo Sara, que coordena o grupo, o projeto tem dado ênfase à figura do espectador. “Porque é ele quem vai dar visibilidade para a vítima e para o agressor na forma de 'likes', na forma de 'curtir'. Então temos trabalhado muito para que esse espectador, que não é vítima nem agressor, denuncie. Em vez de curtir, que fale 'isso não tem nada a ver, isso não é legal'. Se eles [casos de cyberbullying] têm um reforço negativo, certamente aquilo ali para. Mas se tem várias curtidas, então fica muito difícil [combater a situação]”, disse.
A coordenadora de uma das escolas em que o projeto foi implantado, Marli de Almeida, confirmou que as situações decyberbullying se refletem dentro do ambiente escolar. Na Escola Municipal de Ensino Fundamental Armando de Arruda Pereira, onde trabalha, muitas brigas já ocorreram devido a agressões nas redes sociais, disseminação de notícias falsas e até a polícia precisou ser chamada.
“O que eles [grupo da Unifesp] fazem é despertar a conscientização sobre a responsabilidade que os alunos tem que ter quando escrevem qualquer coisa no Facebook, por exemplo, e que tudo isso tem um retorno. É um processo muito lento, mas acredito que a base eles estão tendo e, depois disso, tem que ser desenvolvido aos poucos. Esperamos que a sementinha tenha sido plantada. Depois os professores e as famílias têm que fazer com que essa sementinha floresça e que essa responsabilidade e essa conscientização comece a aparecer no futuro”, disse a coordenadora.
Edição: Amanda Cieglinski

Estação de Pré-Condicionamento de Esgoto de Santos “Engº Francisco Rodrigues Saturnino de Brito" - Matérias sobre

Estação de Pré-Condicionamento de Esgoto de Santos 
“Engº Francisco Rodrigues Saturnino de Brito
Matérias sobre

Conheça um pouco sobre Estação de Pré-Condicionamento de Santos, uma obra visionária de Saturnino de Brito, e que ainda hoje é exemplo de "conceito técnico". Considerado também "Patrimônio Histórico" do Brasil.

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Previsão de Tempo: Santos (SP) para 5 dias The Wheather           Clique na figura para ampliar




Prédios centenários de Santos são restaurados e abertos à visitação

Prédios centenários de Santos são restaurados e abertos à visitação

 25/04/2012 às 12:00

Em 25 de abril de 1912, entrou em operação a rede sanitária de Santos, a cidade com o melhor saneamento do Brasil.


A cidade de Santos tem atualmente 99% de coleta e 100% de tratamento de esgoto. É o melhor sistema de saneamento do Brasil, segundo levantamento feito pelo Instituto Trata Brasil. Esse trabalho de implementação do sistema de saneamento começou há cem anos pelo engenheiro sanitarista Francisco Saturnino de Brito.

O planejamento desenvolvido por Saturnino definiu o crescimento de Santos. Além de pensar na solução para o esgoto, com a criação do sistema que coletava e afastava os rejeitos das casas, o engenheiro projetou os canais santistas para separar a água de chuva do esgoto, modelo chamado separador absoluto e que foi adotado em todo o Brasil depois disso. 

Com essa infraestrutura, Santos se expandiu para além do porto, passando a ocupar a orla. Foi de Saturnino também a ideia, em 1910, de criar um jardim na praia. Construído décadas depois, hoje ele é considerado o maior do mundo pelo Guinness Livro dos Recordes, com mais de 5 km de extensão.


  
Neste dia, 25 de abril, uma parte desse projeto completa cem anos. Foi em 1912 que o engenheiro Saturnino de Brito colocou em operação a estrutura que acabou com a fama de Porto Maldito – as doenças associadas ao cais santista haviam matado 22 mil dos 45 mil moradores, no auge da exportação de café. 

Emissário Traipu

Para marcar a data, a Sabesp investiu R$ 4,3 milhões e abre à visitação gratuita três desses prédios centenários, restaurados.

Um deles é a usina terminal, no José Menino, ao lado do orquidário. 
Usina Terminal  ao lado do Orquidário

Ela recebia o esgoto de Santos e o bombeava por 12 km de tubulações, passando pela Ponte Pênsil, também construída como parte do sistema. Essa usina funcionou por 98 anos. Ao lado da antiga usina terminal está o prédio de prevenção, onde ficavam os escritórios e a manutenção, também revitalizado.



O outro prédio aberto à visitação é uma estação elevatória, que bombeava o esgoto – como Santos é uma cidade plana, é necessário “empurrá-lo” até o destino. Ela foi transformada na Gibiteca Mauricio de Sousa, em homenagem ao criador da Turma da Mônica.


Outras duas estações elevatórias recuperadas não terão visitação interna. Uma delas segue trabalhando, cem anos depois, só com a troca das máquinas, mostrando que o planejamento feito há um século foi altamente eficiente.
A usina terminal, símbolo do projeto de Saturnino, foi desativada no começo de 2010, quando o Programa Onda Limpa, da Sabesp, entregou uma nova estação para o esgoto e a ampliação do emissário submarino. As ações fizeram com que o sistema de saneamento santista tenha capacidade para 5.300 litros por segundo de esgoto. 


No total, a Sabesp investiu, por meio do Onda Limpa, R$ 1,5 bilhão em toda a Baixada Santista. Com isso, a coleta de esgoto nas nove cidades da região, que era de 53% em 2007, chegou a 80% - com todo o volume tratado. Até 2016 a região terá 100% dos rejeitos coletados e tratados.
Serviço
O que: 
entrega do restauro dos prédios do saneamento de Santos

Quando: quarta-feira, 25 de abril, às 16h
Onde: praça Washington, s/n, José Menino, Santos (ao lado do orquidário)
Agendamento de visitas: (13) 3201-2657
Nova informação: Visitas estão restritas aos estudantes de meio ambiente (novembro/2017)

Fonte: Sabesp - Página visitada em 03/12/2017

sábado, 2 de dezembro de 2017

Santos ganha nova estação de tratamento de esgoto

Santos ganha nova estação de tratamento de esgoto18 02 2010 Atualizado em: 02 ago 2013 às 04h
Com capacidade ampliada e tecnologia que propicia maior eficiência, a nova EPC (Estação de Precondicionamento) de esgotos de Santos foi inaugurada nesta sexta-feira (19) pelo governador José Serra.
A unidade, localizada junto ao Orquidário Municipal, faz parte do Programa Onda Limpa, que o Estado desenvolve na Baixada Santista com o objetivo de melhorar índices de saúde pública e de balneabilidade nas praias, e de promover a preservação ambiental e incremento ao turismo.
A EPC recebe o esgoto coletado na área insular de Santos e São Vicente, além das águas dos canais. Ali o material é filtrado e condicionado, sendo então lançado ao mar pelo emissário submarino, que também foi totalmente modernizado e estendido.
A capacidade da estação permite tratar 5,3 mil litros por segundo, o que significa atender até 3,8 milhões de habitantes, número quase 30% maior que a população flutuante reginal nos meses de verão, estimada em 3 milhões. O sistema implementado na estação também possibilita neutralizar a emissão de odores e ruídos, atendendo antiga reivindicação de moradores do bairro do José Menino.
Segundo o governador, "as obras do Onda Limpa são complementares às do programa Santos Novos Tempos, desenvolvido pela prefeitura, que inclui a macrodrenagem da região Noroeste e intervenções nos morros". Ele afirmou que até 2011 o projeto ampliará de 54% para 95% o total de esgoto coletado no litoral paulista.
O Onda Limpa, realizado pela Sabesp, recebe R$ 1,9 bilhão, dos quais R$ 1,47 bilhão são para a Baixada Santista e R$ 500 milhões para o Litoral Norte. Conta com financiamento da Japan International Cooperation Agency. Por tal motivo, estiveram presentes na inauguração o embaixador e o cônsul geral do Japão no Brasil, Ken Shimanouchi e Kazuaki Uaobe. O embaixador disse que o programa vai promover saúde e tornar a região mais atraente para os investimentos estrangeiros.
Em nome da população local, o prefeito João Paulo Tavares Papa agradeceu ao Estado e ao governo japonês pelos investimentos, e afirmou: "toda a cidade do mundo gostaria de dispor de um sistema de saneamento como este, que significa mais qualidade de vida, saúde e desenvolvimento econômico e social". Em Santos, o Programa Canal Limpo integra as intervenções de saneamento.
Orquidário
Depois de conhecer a EPC, o governador foi com o prefeito ao Orquidário, que está sendo totalmente reformado com recursos provenientes do fundo estadual do Dade (Departamento de Apoio e Desenvolvimento das Estâncias). Serra seguiu então para Bertioga e Guarujá, onde inaugurou duas Estações de Tratamento de Esgoto do 'Onda Limpa'.







Assista vídeos sobre Estação Tratamento Esgoto de Santos e Emissário Submarino

Assista vídeos sobre Estação Tratamento Esgoto de Santos e Emissário Submarino



Os Canais de Saturnino - Trailer






Canais de Santos





EMISSÁRIO SUBMARINO SANTOS - SÃO VICENTE -SP (VIDEO RARO)






Emissário Submarino Santos/SP - 16/07/2017





Emissário submarino de Santos - Unimonte






Emissário Submarino | Vim de Santos #4




Globo Ecologia 12/10/2013 - Saneamento13 -




Passeio UATI BS 2017 ao Palácio Saturnino de Brito Sabesp Santos








BIOGRAFIA - SATURNINO DE BRITO


Entenda como funciona o despejo de esgoto por emissários submarinos

Entenda como funciona o despejo de esgoto por emissários submarinos

Tecnologia é utilizada em diversos países para escoar efluentes tratados   

12/10/2013 05h46 - Atualizado em 14/10/2013 10h11              

Em cidades urbanas que crescem progressivamente, o escoamento adequado do esgoto é sempre uma problemática em discussão. O emissário submarino é um exemplo de tecnologia  de descarte pensada principalmente para cidades ricas em recursos hídricos. “O emissário é um tubo que transporta efluentes do local onde ele é recolhido para um local de descarte”, explica Paulo Rosman, professor de engenharia costeira e ambiental do instituto Coppe da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Emissário submarino da Barra da Tijuca no Rio de janeiro (Foto: Divulgação/ CEDAE)

Apesar de ser uma técnica polêmica e que levanta a desconfiança especialmente de ambientalistas preocupados com possíveis contaminações, Rosman afirma que os emissários são excelentes soluções de descarte final do efluente tratado. O professor ressalta que esta tecnologia não foi elaborada para descartar esgoto na natureza, mas sim resíduos deste material após um processo de tratamento adequado. “Teoricamente, não se joga esgoto no mar com os emissários e sim água. O esgoto é 99% composto dessa substância. Em geral ele passa por um processo de tratamento prévio que remove esse 1% que não é água. A opção mais viável em locais onde não se tem carência hídrica é descartar esse efluente de volta para a natureza”, explica.

Os riscos oferecidos por esse processo são os de contaminações por bactérias provenientes dos dejetos despejados no esgoto. Rosman explica que os materiais orgânicos e patogênicos não ameaçam o meio ambiente, mas podem prejudicar zonas que são próprias para banho. Para evitar que os banhistas sejam afetados, o especialista afirma que são necessários estudos de condições locais que definam a distância ideal para o despejo do efluente, considerando a possibilidade, ainda que remota, do material atingir a costa já com sua matéria diluída e bactérias mortas por ações do meio ambiente.
O primeiro emissário submarino construído no Brasil funciona até hoje em um cartão postal do Rio de Janeiro, a praia de Ipanema. Inaugurado em 1975, o duto possui 3,6 km de extensão da costa até seu ponto final em alto mar, onde estão localizados 180 difusores, furos que possibilitam o despejo descentralizado. São drenados por ele 7 mil litros por segundo de efluentes, 5 mil litros a menos de sua capacidade total . A área de influencia do emissário submarino de Ipanema contempla toda a zona sul da cidade mais o bairro de São Conrado.

Jorge Briard, diretor de produção e operação da CEDAE- Companhia Estadual de Águas e Esgotos responsável pelo emissário submarino, explica que o único tipo de tratamento preliminar feito no esgoto lançado em Ipanema é o gradeamento. “Na época em que o emissário iniciou suas operações a legislação vigente dizia que ele poderia servir de dispositivo de esgotamento em um ponto que não causasse impactos. Por isso, o esgoto é gradeado e o material grosseiro é retirado. Não há tratamento para a redução de carga orgânica”, diz. Briard afirma que a construção de uma estação de tratamento na zona sul nas proporções necessárias seria inviável, e defende que desde 1975 o esgoto lançado não apresenta um comportamento que ameace a zona de banho.

A falta de um tratamento mais intensivo do esgoto despejado em Ipanema é para o professor de engenharia da UFRJ uma “vergonha total”. “Pela constituição é obrigatório ter um tratamento prévio que remova o lixo de todos os tamanhos. Como não há nenhum tratamento de resíduos miúdos, absorventes, cotonetes ou preservativos, por exemplo, não são filtrados. Isso é um absurdo”, declara. Rosman sugere que se construa uma estação subterrânea de peneiramento progressivo para a remoção de resíduos e óleos. “Eu entendo que não é possível fazer uma estação de tratamento como a da Barra da Tijuca, mas uma estação de peneiramento progressivo poderia ser feita perfeitamente” defende.

O emissário submarino da Barra da Tijuca, também situado no Rio de Janeiro, foi inaugurado em 2006 sob responsabilidade da CEDAE. Diferente de Ipanema, o esgoto despejado na Barra passa uma estação de tratamento primária em que todo o lixo é recolhido e a carga orgânica reduzida. O emissário possui 5 km de extensão e drena em média 1.600 litros por segundo. O diretor de produção e operação da CEDAE afirma que um monitoramento preventivo é feito na região duas vezes ao mês para garantir que não haja qualquer tipo de impacto na zona dos banhistas.
Emissário submarino de Santos
(Foto: Divulgação/ Sabesp)
A tecnologia de emissários submarinos é utilizada em diversos países no mundo como, por exemplo, a Inglaterra, que possui em sua costa mais de dois mil emissários. O Brasil possui apenas vinte deles localizados principalmente em regiões costeiras. A cidade de Santos, situada no litoral de São Paulo, teve seu emissário inaugurado em 1978 por ser a melhor opção para o escoamento de esgoto para a região. “Estamos cercados por mangue e a falta de área dificulta a construção de outro tipo de tratamento” explica Wilson Bassotti, engenheiro da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo- Sabesp, responsável pelo emissário.

Antes de ser lançado na baia, o esgoto escoado pelo emissário de santos passa por um processo de pré tratamento equipado com sistemas de gradeamento, micropeneramento, desarenação e desinfecção.
 
  • Bassotti afirma que hoje, 100% do esgoto coletado é tratado. 
  • O duto do emissário possui 4,25 km de extensão e 
  • escoa um volume de 5,3 mil litros por segundo.


Dados de monitoramento da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo alertam que o emissário de santos estaria lançando ao mar alta quantidade de fósforo e nitrogênio, substâncias que estimulam a proliferação de algas tóxicas. Bassotti reconhece que o processo de multiplicação destas algas existe, no entanto, afirma que nada comprovou ser culpa do emissário. 
“Além de ter pré-tratamento, o emissário tem controle de dispersão, ao contrário de esgotos clandestinos que são lançados no mesmo meio”, afirma. Sobre os problemas de poluição em certas praias de Santos, Bassotti declara: “Hoje posso afirmar que não tem qualquer relação com o esgoto lançado pelo emissário. As praias de Santos se por ventura não estão balneáveis é pela poluição difusa, ou seja, pela quantidade de sólidos na baia.

Santos: 100 anos de saneamento aliando obras históricas e tecnologia



Santos: 100 anos de saneamento aliando obras históricas e tecnologia

Data:05/06/2012- Fonte:www.revistatae.com.br


Por João Moura
Em paz com o passado. Essa frase demonstra como a cidade de Santos deixou para trás um situação difícil, na qual o porto da cidade – de importância vital para a balança comercial do país – chegou a ser apelidado de “porto maldito”, em função das doenças associadas ao cais que dizimaram cerca da metade da população local, ocasionando a morte de 22 mil dos 45 mil moradores no auge da exportação de café.
Em 25 de abril, Santos comemorou 100 anos de uma mudança histórica comandada pelo engenheiro Francisco Rodrigues Saturnino de Brito, iniciada em 1905 quando encampou a Repartição de Saneamento, sendo responsável por projetar e implantar o sistema de drenagem de águas de chuva, do lençol freático e também de esgotamento sanitário. Entre as intervenções nas quais trabalhou, estão instalações internas para recolhimento do esgoto domiciliar, inexistentes em muitos imóveis na época.
O marco que definiu o início do saneamento na cidade foi a inauguração a partir de 25 de abril de 1912, de três estações elevatórias históricas (Tomé de Souza, Porto e Conselheiro Nébias), a Usina Terminal - ao lado do orquidário, que funcionou por 98 anos - e um Prédio de Prevenção, local para manutenção de equipamentos e onde também ficavam os escritórios.
“Devemos muito do que temos aqui em Santos hoje ao projeto do Saturnino de Brito, que permitiu a ocupação da cidade drenando as águas do solo e destinando de forma correta o esgoto domiciliar, auxiliado pelo médico Guilherme Álvaro nas questões de higiene. Esses dois pontos foram fundamentais para a ocupação da cidade no início do século passado”, explica o engenheiro sanitarista e superintendente da Sabesp, João Cesar Queiroz Prado.
A estação criada por Saturnino de Brito, localizada no Bairro do José Menino, funcionou normalmente até o início de 2010, quando entrou em operação uma nova estação dentro do Programa Onda Limpa, que dobrou a sua capacidade. “Foi um projeto que atendeu plenamente as necessidades do município. No entanto, com as perspectivas de crescimento da região, era necessário a construção de uma nova unidade, com capacidade maior para atender plenamente a cidade”, diz Queiroz Prado.
Mentalidade visionária no Guiness
A visão de futuro de Saturnino de Brito também merece destaque, na análise de Queiroz Prado: “Para projetar a rede de esgoto, ele pensou no futuro desenvolvimento da cidade. Para isso, já criou uma cidade com avenidas grandes, que permitiam circulação de ar, arborizadas e com canteiros centrais. Um detalhe é que em uma planta de 1910, ele já colocava os jardins da orla, que foram feitos muito tempo depois”, ressalta.
Além de criar a solução para o esgoto, o engenheiro projetou os canais santistas para separá-lo da água de chuva, modelo chamado “separador absoluto” e que foi adotado em todo o Brasil posteriormente. Com essa infraestrutura, Santos cresceu para além do porto, passando a ocupar a orla. O jardim na praia idealizado por Saturnino em 1910 e construído décadas depois, é hoje considerado o maior do mundo pelo Guinness Livro dos Recordes, com mais de 5 km de extensão.
Para comemorar o centenário do saneamento em Santos, foram investidos pela Sabesp R$ 4,3 milhões na restauração das estações elevatórias Tomé de Souza, Porto e Conselheiro Nébias, da Usina Terminal e do Prédio de Prevenção.
A Estação Elevatória Tomé de Souza, em São Vicente, foi cedida para a Prefeitura para a implantação de uma gibiteca pública. Trata-se da Gibiteca Mauricio de Sousa, um espaço cultural e histórico que permite a abertura constante da unidade e o conhecimento da história do saneamento. As outras duas estações elevatórias recuperadas não terão visitação interna. Uma delas segue trabalhando, cem anos depois, só com a troca das máquinas, mostrando que o planejamento feito há um século foi altamente eficiente.
O sistema de esgotamento sanitário também conta com a Ponte Pênsil, em São Vicente, que tinha como objetivo inicial a passagem dos esgotos da Ilha de São Vicente para a Ponta de Itaipu, em Praia Grande, onde os efluentes eram lançados em alto-mar. Da unidade no José Menino até o local de lançamento, eram percorridos cerca de 12 quilômetros por tubulações e canaletas.
A história da implantação do saneamento na cidade está registrada no acervo mantido pela Sabesp no Palácio Saturnino de Brito, em Santos, aberto à visitação pública como parte das comemorações do centenário. A visita é gratuita e monitorada por guias bilíngues, de terça a domingo, das 11 às 17 horas.

Exemplo a ser seguido
O trabalho realizado em Santos pode ser considerado exemplar para cidades portuárias, um dos fatores que dificultam as questões de saneamento pelo grande afluxo de pessoas de diferentes nacionalidades.
Atualmente, Santos ocupa a primeira posição no ranking de saneamento do Instituto Trata Brasil, com índices de fazer inveja até a países do primeiro mundo: 99% de coleta e 100% de tratamento.
Para a elaboração do ranking, o instituto analisa municípios com mais de 300 mil habitantes e avalia além do esgotamento sanitário, os investimentos, atendimento em abastecimento de água e o índice de perdas.


Eficiência no controle de odores

A solução para o sistema de redução de odores utilizada pela Sabesp na unidade de tratamento de esgoto na Estação de Pré-condicionamento próxima ao orquidário, foi alvo de estudo apresentado no Congresso Internacional de Saneamento no Chile, em novembro de 2011, organizado pela Associação Interamericana de Engenharia Sanitária e Ambiental.
O sistema permite a lavagem dos gases e a eliminação dos odores característicos de esgoto e o estudo abordou diversas unidades utilizando tecnologia de ponta implantados a partir de 1988, com autoria do professor doutor Helvécio Carvalho de Sena, gerente de Tratamento de Esgoto da Sabesp, e da mestre em Engenharia e Processos Químicos e Bioquímicos, Regina Tie Kawai Shikishima.
O odor é relacionado à existência do sulfeto de hidrogênio e para combatê-lo alguns compostos químicos são recomendados, como o cloro, peróxido de hidrogênio e o permanganato de potássio, que permitem oxidar o sulfeto rapidamente. O sistema de peróxido implantado em Santos é acompanhado em tempo real pelo Centro de Controle Operacional.
A Estação de Pré-condicionamento recebeu diversas reclamações dos vizinhos da unidade no passado, devido ao odor proveniente do processo de tratamento. Segundo a Sabesp, desde a ampliação realizada no local pelo Programa Onda Limpa, com a inclusão de uma torre de lavagem de gás e o enclausuramento da unidade, foi possível o controle do odor e a sua eliminação.
A torre realiza a absorção dos compostos geradores de odor, formados pelo processo de decomposição do esgoto gerando gases como o metano e o sulfídrico. Os gases são neutralizados por meio do contato do fluxo gasoso com gotas de uma solução química contendo água, hipoclorito de sódio e hidróxido de sódio. Somente após esta etapa, o ar sai pelo topo da torre sem o odor característico do esgoto.
Este sistema permite uma lavagem dos gases antes de ser dispersados, evitando que o odor de esgoto chegue a incomodar a população “A constatação da eficiência desse processo é feita por analisadores de metano e gás sulfídrico instalados na saída da torre, o que permite o acompanhamento em tempo real do sistema”, explica Sena.
Além deste procedimento na EPC, nove estações elevatórias possuem sistema que realizam a mesma função. Devido à baixa declividade da cidade, as estações elevatórias têm a função de elevar o nível de esgoto e permitir que ele continue o seu trajeto. Este fator, aliado às altas temperaturas da região e obstruções ocasionadas por lixo na rede de esgoto, podem contribuir para a existência de odor.
Fonte: Sabesp - Baixada Santista
Celebração
O evento que marcou o centenário e a entrega dos prédios revitalizados pela Sabesp teve a presença da diretora-presidente da Sabesp, Dilma Pena; do diretor de Sistemas Regionais da companhia, Luiz Paulo de Almeida Neto; dos superintendentes João Cesar Queiroz Prado, da Baixada Santista, e José Luiz Lorenzi, do Programa de Recuperação Ambiental da Baixada; e do secretário de Serviços Públicos de Santos, Carlos Alberto Russo.
Na solenidade, Dilma fez questão de destacar o pioneirismo do projeto de Saturnino. “Ele deixou como herança não apenas uma solução para o momento que a cidade vivia, garantindo o desenvolvimento de Santos e de todo o país, mas também um olhar no futuro”, disse. “Essa é a missão da Sabesp: investir agora para garantir um futuro melhor para a população.”
A presidente da Sabesp também ressaltou os investimentos realizados pela companhia em toda a Baixada Santista nos últimos 20 anos para garantir água potável e tratamento de esgoto aos moradores e turistas, onde os moradores têm importância estratégica no processo. “É preciso fazer investimentos e incentivar a participação da população para garantir mais qualidade de vida e praias limpas. Cada morador precisa armazenar o lixo corretamente e recolher as fezes de seus animais, para que não cheguem às praias.”

Baixada Santista tem estação mais antiga da região metropolitana de São Paulo
A região da Baixada Santista possui outro marco histórico em questão de saneamento: a Estação de Tratamento de Água Pilões, com 112 anos de atividade, localizada em Cubatão. É a instalação mais antiga da Região Metropolitana de São Paulo.
“A estação Pilões abastece parte da cidade de Cubatão por meio de duas captações, uma no rio Pilões e outra no rio Passareúva”, explica o gerente da Divisão de Produção de Água da Sabesp na Baixada Santista, engenheiro Mário Benetati Filho.
Localizada no Parque Estadual da Serra do Mar – Núcleo Pilões (uma das unidades que integram o Projeto de Preservação da Mata Atlântica), a estação foi construída originalmente pela empresa The City of Santos Improvement Company.
A captação no Rio Pilões abasteceu a cidade de Santos de 1899 a 1930 sem qualquer alteração estrutural, sendo a principal fonte de suprimento e que representou um grande avanço na época, pois até 1894, Santos era provida de água potável por meio de chafarizes públicos e carros pipa, com exceção a três mil residências que eram abastecidas por tubulações da Companhia City.
Em 1936 a estação passou pela primeira reforma, passando a ser uma estação de tratamento de água de método convencional, com melhoria no sistema de captação. Em 1975, a Sabesp assumiu os serviços de saneamento em toda a Baixada Santista e em 1991 realizou outra grande reforma que, praticamente, construiu uma nova estação, com a substituição de equipamentos utilizados no tratamento e reforma de decantadores e filtros.
Além das melhorias constantes, a Sabesp investe no cuidado com o meio ambiente pela preservação da área verde formada por matas ciliares (designação dada à vegetação das margens de rios e mananciais), que cercam toda a região e embelezam a paisagem. 
Abastecimento automatizado
Antigamente, o abastecimento de água em Santos era realizado através das nascentes nas encostas dos morros, como as fontes do Itororó e São Bento. A situação começou a mudar em 1846 e foi marcada pela presença de Dom Pedro II, que inaugurou o chafariz no Largo da Coroação para abastecimento público.
Muita coisa mudou e hoje a cidade possui um moderno sistema automatizado, que monitora em tempo real todo o sistema de abastecimento de água da Baixada Santista, desde a captação, tratamento, reservação até a distribuição.
Segundo a política de melhoria contínua, a Sabesp continua investindo no aprimoramento do sistema, tendo destinado recentemente verbas para a automação de mais três reservatórios - Marapé, do Colégio (no Morro José Menino) e da Vila Progresso, criando pontos de monitoramento de nível, vazão e pressão do equipamento.
As melhorias envolvem a construção de um painel com sistemas elétrico, de rádio e telecomunicação, que transmitem os dados codificados para o Centro de Controle Operacional (CCO).
“A medida torna o local um ponto de observação para os controladores, o que possibilita monitorar o sistema da região e executar manobras a longa distância”, explica o gerente do Departamento de Produção de Água e Tratamento de Esgoto da Baixada Santista, engenheiro Wilson Bassotti Filho.
O CCO da Unidade de Negócio da Sabesp na Baixada Santista está localizado no Palácio Saturnino de Brito, no Centro de Santos, onde controladores trabalham em turnos, monitorando o sistema 24 horas por dia. De lá é possível ter um panorama completo da região, navegando por meio de telas, que representam cada sistema automatizado.
Na continuidade do processo de modernização, a Sabesp está aplicando cerca de R$ 400 mil na substituição de equipamentos e programas de informática responsáveis pelo controle e monitoramento dos sistemas de saneamento da região, além da reconfiguração e otimização das telas para agilizar a navegação dos operadores do centro de controle, o que ampliará a velocidade do sistema e proporcionará um retorno mais rápido das informações.

Imagem: acervo do professor e pesquisador santista Francisco Carballa
No pormenor, o portal festivo e as bandeiras, possivelmente pouco antes das comemorações da inauguração:
Fonte: Revista TAE

Saneamento Básico em Santos - História

Saneamento Básico em Santos - História





SANEAMENTO BÁSICO EM SANTOS




Pesquisa e Texto: Sergio Willians
Por uma questão de lógica, a trajetória do saneamento básico deveria caminhar ao lado da história da distribuição de água, uma vez que ambas fazem parte de um mesmo ciclo, o ciclo da água, onde o precioso líquido é captado, tratado, distribuído, consumido e descartado, transformando-se em esgoto, que por sua vez é coletado, tratado e devolvido à natureza.
Simples, não? No entanto, as duas conquistas ocorreram em momentos distintos para a maioria dos povos. Assim foi em Santos, onde o processo de saneamento básico praticamente refundou a cidade, num momento crítico, em que parecia estar condenada à morte!
Período Colonial
As vilas coloniais portuguesas na América foram construídas sem o menor cuidado com o destino do esgotamento sanitário, assim como do lixo produzido pelos seus moradores. A sujeira imperava nos rios e córregos da Vila de Santos, contaminando inclusive a água da praia (que ficava no atual Centro Histórico, antes da construção do porto organizado).
Com o crescimento acelerado da cidade, a partir da segunda metade do século XIX, e o consequente aumento populacional, foram construídos rudimentares sistemas de canalização de esgoto, que se misturavam com a água das chuvas, em galerias e tubulações feitas de barro. Isso não impediu que a situação sanitária entrasse em estado de alerta. Se chegasse à cidade algum tipo de doença viral, as condições santistas eram propícias para o alastramento. E não deu outra. No final de 1849, a febre amarela desembarcou na capital imperial e alarmou as autoridades paulistas, que sabiam das semelhanças das condições e clima entre Santos e Rio de Janeiro. E dito e feito. Em abril de 1850 foi registrado oficialmente a primeira morte por febre amarela na cidade portuária: um caixeiro português, que ainda tentou se tratar na Santa Casa. Daí em diante a coisa se alastrou e virou epidemia, vitimando dezenas de santistas.
O número de mortes era tanto que o Império se viu obrigado a proibir o sepultamento dos mortos dentro das igrejas, como mandava a tradição desde os tempos coloniais.  Eram tantos enterros, que o cheiro de morte se tornou insustentável nos templos religiosos.
Para piorar, a população não ajudava em nada na situação. Escravos despejavam as imundícias leves e grossas de todas as residências diretamente nas águas do Estuário e nos ribeirinhos locais.
Imagem arranhada

O quadro caótico que se instalou na cidade de Santos, a partir daquela segunda metade do século XIX, deixou preocupava as autoridades da Província. Afinal, o porto mais importante do país não podia ficar com a imagem arranhada perante a comunidade mercantil internacional.  Várias armadoras de navios estrangeiras começaram a ameaçar não mandar mais suas embarcações para Santos. Era necessário estabelecer um amplo plano de saneamento na cidade. Mas isso correspondia em investimentos de grande monta.
Ao longo dos anos, percebeu-se que a maior parte das doenças tinha origem ou estava bastante relacionada à questão da água. Era preciso buscar alternativas para a captação de fontes limpas e também arrumar a casa, ou seja, tornar a cidade habitável do ponto de vista do saneamento básico.
A questão do abastecimento começou a ser resolvida pra valer em 1870, quando um grupo de empresários ingleses assumiu a responsabilidade, por meio de concessão, de trazer água da Serra do Mar. Por outro lado, em relação ao esgoto, a discussão era bem mais ampla, como também era latente a necessidade de canalizar os rios e córregos que cortavam as áreas densamente povoadas. O principal motivo para esta decisão era impedir o contato da população com os mosquitos infectados com o flavivírus da febre amarela, responsável direto por milhares de óbitos ao longo de décadas em Santos.
No entanto, a doença que mais vitimou santistas na segunda metade do século XIX foi a tuberculose, a temida “peste cinzenta” causada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis (mais tarde conhecida como Bacilo de Koch, em homenagem ao seu descobridor, Robert Koch, em 1882). Em Santos, a doença encontrou o campo ideal para se espalhar entre as pessoas (calor, umidade e péssimas condições sanitárias). Para completar o rol de doenças endêmicas, os santistas ainda sofreram com a cólera, leptospirose, varíola, tétano, coqueluche, peste bubônica, entre outros males.
Para se ter uma ideia do estrago causado em Santos no duro período das epidemias, basta dizer que, entre 1890 e 1904, morreram em Santos 22.588 pessoas, número superior à metade da população da época.
Solução porto-riquenha
As epidemias que atingiam a cidade de Santos acabaram penetrando na capital e no interior do Estado de São Paulo, ameaçando os trabalhadores das lavouras de café, a maior riqueza paulista, o que obrigou o governo a adotar medidas gerais de controle da situação. Como consequência, foi criado em 1891 o Serviço Sanitário do Estado, vinculado à Secretaria dos Negócios do Interior. Uma das primeiras medidas deste departamento foi criar duas comissões para agir em Santos. Uma para controlar as epidemias e outra para discutir as medidas de saneamento na cidade santista. Chegou-se a conclusão de que Santos precisava de um plano sanitário ousado, inovador e, para isso, contrataram, em 1892, os serviços do famoso engenheiro porto-riquenho, Estevan Antonio Fuertes, na época professor da Universidade de Cornell, nos Estados Unidos. Fuertes havia elaborado um bem-sucedido plano sanitário para a cidade norte-americana de Nova Orleans, cujas características eram bem parecidas com Santos. A contratação do porto-riquenho teve o apoio do secretário do Interior, o santista Vicente de Carvalho.
A Comissão de Saneamento de Santos, criada pelo governo do Estado, começou a executar alguns trabalhos em paralelo à construção do porto, que havia sido iniciada em 1888, e transformava as ruas do Valongo.
Em julho de 1893, Fuertes, em visita de inspeção a Santos, comentou com o chefe da Comissão de Saneamento, João Pereira Ferraz, “o teatro de horrores que assistia ao ver a população viver numa cidade putrefata”. O engenheiro sabia que sua missão era dura, pois olhava para as poças de esgotos misturadas ao lixo abundante que, tão logo era retirado pelos carroceiros municipais, e já se acumulavam novamente, como se brotassem do solo. Fuertes propôs medidas para conter o avanço das epidemias, com a construção de uma estação de quarentena para isolar a população infectada, além de um desinfectório, na distante Ilhabela. Também sugeriu a construção de outra estação de quarentena na barra do canal dom porto, para não deixar entrar na cidade os marinheiros que já chegavam infectados de outros portos.
Furtes elaborou um plano gigantesco, de medidas sanitárias e, principalmente, de infraestrutura, desenhando o complexo sistema de redes coletoras de esgoto, estações elevatórias e, principalmente, o sistema de drenagem e águas pluviais (chuva).
Conflitos de ideias
Apesar de ter árduos defensores, o Plano de Fuertes foi contestado por muita gente ligada ao governo de Estado, que achava exagerada a quantidade de medidas adotadas pelo engenheiro porto-riquenho. O exagerado, no caso, era a relação dos custos que todas as medidas iriam pesar nos cofres paulistas.
Em junho de 1895, a Comissão de Saneamento, então chefiada pelo engenheiro José Rebouças, passou ao comando do engenheiro Ignácio Wallace da Gama Cochrane, filho do fundador da Companhia City of Santos Improvements. Formado no Rio de Janeiro, era monarquista, tendo sido vereador em Santos.  Cochrane estava ansioso por botar em prática os planos de Fuertes, mas encontrava resistência em meio aos superiores no Estado. No ano seguinte apresentou um relatório sobre os serviços de esgotos em Santos, demonstrando preocupação com a questão. Chegou a enfrentar a Câmara Municipal e a Companhia de Melhoramentos de Santos, que era responsável por vários serviços públicos, entre eles o da limpeza das velhas galerias de esgoto, que se encontravam em péssimo estado e entupidas. Cochrane fez o município romper o contrato com a empresa, alegando negligência, e acabou encampando os serviços, em favor do governo do Estado.
Em 1896, Cochrane solicitou a ajuda de Rebouças, para providenciar um inventário sobre todo o sistema montado pela Companhia Melhoramentos. A ideia era substituir todo o sistema aos poucos, enquanto não se decidia pela aplicação do plano de Fuertes ou de outro que desse um jeito definitivo na cidade.
Em setembro daquele ano, Cochrane passa a ocupar o cargo de diretor da Superintendência de Obras Públicas do Estado, deixando em seu lugar o engenheiro Alfredo Lisboa que, por sua vez, enfrentou problemas de ordem financeira na Comissão de Saneamento, obrigando-se até a demitir funcionário e paralisar obras. Sem ter muitos recursos financeiros para atacar em várias frentes, Lisboa optou por concentrar os esforços na elaboração do projeto do coletor de esgoto principal da cidade, que mais tarde foi implantado por Rebouças, que assumira o posto de chefe da Comissão Sanitária.
Em relação ao plano de Fuertes, este praticamente foi derrotado no combate de ideias que se travou nas altas esferas.
A cobrança pelo esgoto
Em 1898, a Comissão de Saneamento foi extinta, transformando-se na Repartição de Águas e Esgotos, sob a liderança de Theodoro Sampaio. Um dos principais problemas enfrentados pelo engenheiro foi amenizar o conflito existente entre o Governo do Estado e a Câmara Municipal de Santos, intensificado depois que o município passou a cobrar dos moradores uma taxa de esgoto. As autoridades estaduais defendiam que, uma vez encampados os serviços sanitários, como de fato foi feito em 1896, as taxas deveriam ser arrecadadas pela Repartição. No entanto, a Câmara ignorou a defesa e continuou a cobrar as taxas, para o município. 
Divisão em distritos
Em 1899, a Câmara de Santos promulgou Lei que autorizava o Governo do Estado celebrar contratos, por edital, para a construção e exploração de rede de esgotos de matérias fecais e águas servidas. O aspecto mais importante para que houvesse êxito na implantação da rede, seria a divisão de Santos por distritos, tal qual Fuertes havia proposto em seu plano. O engenheiro porto-riquenho, no entanto, dividiu a cidade em três distritos: a área central (que era a maior), a Vila Mathias (segundo núcleo mais populoso da cidade) e o distrito da Barra, que englobaria toda a atual orla santista.
Com a perspectiva de avanço da área urbana para o lado leste da ilha de São Vicente, o edital previa a criação de mais distritos do que os três previstos por Fuertes. Contudo, o texto do edital causaria grande polêmica dentro do Governo, envolvendo Theodoro Sampaio. Ele dava amplos poderes ao concessionário vencedor, inclusive de desapropriar os imóveis que julgasse necessários para as obras de intervenção, além do que não estipulava uma data de término da concessão. Isto significaria que a empresa vencedora se tornaria dona absoluta do serviço público, cobrando as taxas sobre esses serviços até quando quisesse, de forma monopolista.
Tal falha condenou as negociações com o grupo vencedor, composto pelos engenheiros João Pereira Ferraz, Augusto Carlos da Silva Telles e José Brant de Carvalho. Mais tarde, os três entrariam na Justiça com uma ação indenizatória por terem vencido a concorrência e não assinarem o contrato de serviço.
Theodoro Sampaio se desgastou com o episódio e tentava, a todo o custo, ao menos manter as obras essenciais de canalização do esgoto em parceria com as obras do porto de Santos. Quando o engenheiro José Pereira Rebouças retornou ao posto de chefe da Comissão de Saneamento em 1902, a situação de Sampaio piorou, por não ter mais sustentação política. Obrigado a demitir dezenas de funcionário da Repartição, acabou exonerado em fins de 1903. Outro fator que minou a posição de Sampaio foi sua posição contrária ao uso do cimento armado nas obras de canalização de esgoto, difundida largamente por Rebouças, que tinha o total apoio do governador paulista Bernardino de Campos.
O plano de Rebouças
Quando assumiu a Comissão de Saneamento, em 1903, José Pereira Rebouças queria aproveitar a sua larga experiência no uso de manilhas de cimento armado e ferro para uso em obras de saneamento. Depois da saída de Sampaio da Repartição de Águas e Esgoto, Rebouças resolveu apresentar um plano de ações para resolver as questões sanitárias no que se refere à coleta e destinação do esgoto santista. No entanto, seu projeto nada mais era do que a instalação de coletores gerais para onde seriam feitas as descargas de esgotos a serem levadas para o mar. Algum tempo mais tarde, este projeto seria duramente criticado, por ser vago e incompleto, bem menos qualificado do que o plano de Fuertes.
A chegada de Saturnino
Considerado um dos expoentes do saneamento básico no país, o engenheiro Francisco Rodrigues Saturnino de Brito não criticava abertamente a postura de Rebouças em seu plano vago, embora fosse nítida sua posição contrária à ele. Ainda assim, mesmo assumindo o cargo da chefia da Comissão de Saneamento em 1905, por indicação do novo presidente do Estado, Jorge Tibiriçá, Saturnino foi obrigado a engolir os mais de 2 km de coletores construídos pelo seu antecessor, tudo em cimento armado, que custaram uma fábula para o Estado.
O engenheiro, que já havia iniciado estudos para a elaboração de um projeto de saneamento e urbanização para Santos, desde antes da criação da Repartição de Águas e Esgotos, agora precisava adaptar alguns pontos, principalmente em relação ao material que utilizaria para a construção dos emissários e galerias, já que os testes com cimento armado pareciam realmente terem dado certo.
Saturnino não esperou nada para pôr em prática seu plano de saneamento. Afinal, ela já conhecia a realidade santista e esboçara o projeto ideal desde 1898, com interferências em 1902 e 1903, aplicando o que vinha fazendo em outras cidades onde trabalhou (Campos-RJ e Vitória-ES). O projeto base do engenheiro era sustentado por um conjunto de ações vitais para o futuro da qualidade de vida na cidade,

  • como a implantação de uma rede bem estruturada de esgoto sanitário, 
  • da rede de esgotos pluviais, 
  • pela reforma completa das instalações domiciliares e 
  • pela construção de canais de drenagem, 

que seriam responsáveis por dar condição de habitabilidade à maior parte do território santista, composto basicamente por terrenos pantanosos.
Controlando a cidade

Saturnino tomou conta dos rumos da cidade. Além de promover um controle sanitário rigoroso, mandou fazer um cadastro de todas as instalações domiciliares santistas e obteve da Câmara Municipal o compromisso de não conceder nenhuma licença para a construção de edifícios sem que as plantas estivessem aprovadas pela Comissão de Saneamento. O influente engenheiro ainda foi responsável pela introdução de uma série de Leis que permitiram a execução completa de seu plano de saneamento, entre elas diversas desapropriações e a criação de taxas de contribuição para melhorias, além de outras que tratavam dos quarteirões insalubres e vielas particulares.
Saturnino desenhou uma nova cidade a partir da Vila Mathias, oferecendo uma proposta urbanística que, se não foi cumprida à risca, ficou bem próxima do que almejou. A composição da cidade, a partir de seus canais de drenagem, foi fundamental para o sucesso urbanístico que Santos conquistou ao longo dos anos.
A inauguração dos canais
Os canais não surgiram, todos, ao mesmo tempo. Foram nove os projetados por Saturnino, sendo que o primeiro foi inaugurado em 1907. Esta estrutura, o Canal 1, além de ter sido construída para cumprir o papel de drenagem, como todos os outros canais, tinha a importante missão de canalizar o rio dos Soldados (antigo rio Guaranchim, nascia no morro da Nova Cintra/Jabaquara e desaguava na Bacia do Mercado), que já se constituía num grande problema para o bairro da Vila Mathias e para os planos de expansão do Porto de Santos. 
Os outros canais foram entregues ao longo de vinte anos:

Canal 1 - Avenida Senador Pinheiro Machado (inaugurada em 1907)
Canal 2 - Avenida Bernardino de Campos (1910),
Canal 4 - Avenida Siqueira Campos (1911),
Canal 7 - Avenida Francisco Manoel/ao lado da Santa Casa (1911),
Canal 9  - Avenida Barão de Penedo/José Menino (1911),
Canal 8 - Avenida Moura Ribeiro/Marapé (1912),
Canal 6 - Avenida Joaquim Montenegro (1917),
Canal 3 - Avenida Washington Luís (1923) e
Canal 5 - Avenida Almirante Cochrane (1927).
Trabalho quase concluído
Em 25 de abril de 1912, o plano de saneamento da cidade de Santos foi praticamente concluído, com grande festa na cidade. Todo o trabalho base (66 km de coletores, 15 km de emissários, 602 poços de visita, 10 estações elevatórias, uma usina terminal) estava pronto. Só faltava concluir a Ponte Pênsil, um mero detalhe na gigantesca obra que proporcionou à terra santista uma chance de prosperidade.
Saturnino conseguiu, com suas ideias e esforços, fazer com que a cidade crescesse como planejara, mesmo diante das resistências políticas que encontrou na Câmara Municipal, assim como de muitos proprietários de chácaras e terras na zona leste de Santos, que insistiam em não deixar passar em seus lotes as melhorias para a cidade. Mas era inegável a sensação geral de que a cidade havia sido refundada, transformada em um lugar habitável e potencialmente próspero.
No mesmo dia da entrega das obras de saneamento, era inaugurado o Sistema de Esgotos e de Águas Pluviais de Santos, que daria as condições necessárias para a implantação definitiva do porto e o fortalecimento econômico do município. Ao seu projeto foi incorporada a parte central de São Vicente com a Estação Elevatória Tomé de Souza.
A Ponte Pênsil e o esgoto longe de casa
Ao contrário do plano de Fuertes, que previa o despejo do esgoto santista em Outeirinhos (nas proximidades do atual Terminal Concais), Saturnino propôs duas alternativas para este descarte. A primeira seria depurá-lo na futura estação de tratamento do José Menino e lança-lo diretamente na Baía de Santos, pela Praia do Itararé. Brito vinculava a esta ideia o aproveitamento agrícola do efluente depurado, inclusive utilizando-o no futuro Horto Botânico, devidamente previsto em seu plano de urbanização (o local vislumbrado por Saturnino, décadas mais tarde acabou sendo aproveitado para a construção do Orquidário Municipal). A segunda opção era mandá-lo pra mais longe ainda, para além da Baía, na Ponta do Itaipú (na Praia Grande). E foi esta a opção escolhida pelo Governo do Estado.
Assim, os engenheiros encarregados de executar o trabalho estudaram qual a melhor forma para fazer atravessar para a Praia Grande a tubulação (emissário) que conduziria os esgotos ao longo do morro do Itaipu. Depois de acertar o traçado dos dutos, restava apenas solucionar o problema da travessia deles, da ilha de São Vicente, para o outro lado, no continente. Os primeiros planos davam como solução a transposição direta do emissário apoiado sobre estacas. Mas Saturnino achou muito precário e aventou a possibilidade de construir uma ponte-suporte no menor trecho do Mar Pequeno, entre o Morro dos Barbosa (Tumiarú) e a região onde ficava o antigo porto das Naus (Japuí). O local era perfeito para a travessia, pois reunia condições de fundação mais favoráveis, com a possibilidade da construção de apoios diretos sobre a rocha. A dificuldade estava na garganta marítima daquele ponto, que chegava a mais de 15 metros de profundidade. Por isso, acompanhando a tendência da época, recomendava-se a construção de uma ponte de grande vão, sem suportes intermediários. Era uma solução avançada para a época, quando não se falava ainda de concreto armado para a construção de pontes.
Para projetar a obra foi contratada a firma Trajano e Medeiros & Cia. que, em consórcio com uma empresa alemã, elaborou a tal ponte entre o Tumiarú e Japuí. Coube ao engenheiro alemão Augusto Kloene, a tarefa de projetar um vão de 180 metros entre torres, com 6,4 m de largura e 5 de altura acima da maré máxima. Era uma obra ousada e praticamente inédita no Brasil. A Ponte Pênsil de São Vicente foi a segunda do gênero do Brasil (a primeira foi a Ponte de Caxangá - 1842 - sobre o Rio Capibaribe, no Recife).
Depois de decidido o formato e aprovado o projeto, a construção dos pontilhões começou em 1911, em ambos os lados. As peças da ponte foram produzidas na Alemanha e transportadas entre 1912 e 1913 por dez navios.
Para a construção da bela “obra de arte”, o governo gastou mais de 150 contos de Réis, uma pequena fortuna na época. Ao final, a ponte se apresentou com 275 metros de comprimento e peso de 550 toneladas. A largura d a pista era de 6,40 m. Às duas torres, de 23 metros de altura, estavam ligados os 16 cabos de aço de 286 metros cada um, que sustentam o tabuleiro, de 180 metros.
A inauguração da Ponte Pênsil, que virou atração turística, além de importante meio de acesso ao continente, se deu em 21 de maio de 1914, contando com a presença do vice-presidente do Estado de São Paulo, Carlos Guimarães, representando o presidente paulista Rodrigues Alves e vários secretários de Estado. Também estava ali o orgulhoso Saturnino de Brito, o homem que ajudou a idealizar aquela obra.
Novas demandas
O projeto de Saturnino suportou bem o progresso santista até meados dos anos 50, quando a cidade começou a crescer de forma acelerada, principalmente na região da orla, onde os primeiros arranha-céus surgiam para mudar a paisagem da ilha. A conta era simples. Mais prédios, mais famílias, mais esgoto produzido. 
O antigo sistema não conseguia mais atender às necessidades da população, mostrando-se ainda mais deficitário nas temporadas e nos fins-de-semana. Na década de 60, aproximadamente 1 milhão de pessoas procuravam as praias locais. Todo esgotamento sanitário da cidade era feito pelo exausto emissário Rebouças, que conduzia o material líquido para a Estação Elevatória do José Menino. De lá, era bombeado para a Ponta de Itaipu onde era, finalmente, lançado ao mar.
Entretanto, a capacidade do emissário Itaipu (0,8 m³/s) não atendia à vazão de 1,3 m³/s daqueles anos. A consequência era sentida por meio de extravasamentos de esgoto em vias públicas e principalmente nos canais. A única solução para o caso era ampliar o sistema.
Em 4 de janeiro de 1950 foi criado o Departamento de Obras Sanitárias (Lei Estadual 627), que substitui a Repartição de Saneamento de Santos. Em 1969, este órgão se juntou a outros da região para formar a Companhia de Saneamento Básico da Baixada Santista (SBS), que assumiu a responsabilidade de gerenciar os serviços de água e esgoto dos municípios de Santos, São Vicente, Cubatão, Praia Grande, Mongaguá, Ilhabela, Ubatuba, São Sebastião e Caraguatatuba.
O Interceptador Oceânico e o emissário submarino
Ainda em 1969, a SBS iniciou a implantação de um novo sistema para a captação de esgotos, atendendo as cidades de Santos e São Vicente. Uma nova fase do saneamento deu as caras para os santistas. Três grandes intervenções seriam realizadas: a construção do Interceptador Oceânico, um novo ramal coletor (emissário) que percorreria os cinco quilômetros de orla; uma estação de pré-condicionamento no José Menino (EPC), responsável por tratar o esgoto, retirando o material sólido e promovendo a aplicação de cloro; e o emissário submarino, que saia da EPC em direção à praia, na altura da Ilha Urubuqueçaba, penetrando cerca de 3.900 metros mar adentro na direção norte-sul, exatamente no ponto de convergência das correntes marítimas, favorecendo assim a dispersão dos esgotos em alto mar.
O conjunto de obras se iniciou em 1969, terminando dez anos depois, quando foram concluídas as últimas estações elevatórias. Embora todas tivessem sua relevante importância, a mais vistosa foi a do emissário submarino, porque produziu na orla uma paisagem diferente, com o surgimento de um enorme aterro com 8 mil m². Iniciada em 1974, as obras do “pier” do José Menino, como muitos santistas passaram a chamá-lo, terminaram em 1978, inauguradas pelo presidente da República na época, o general Ernesto Geisel.
A criação da Sabesp
No meio do caminho das obras que garantiriam mais 20 anos de coleta de esgoto em Santos, era criada a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), pela Lei Estadual 119, de 29 de junho de 1973. Ela assumiria, aos poucos, os serviços públicos de saneamento básico em todo o território do Estado de São Paulo. Em 16 de outubro de 1975, por meio do Decreto Estadual 6.892, a Sabesp incorporava a Companhia de Saneamento Básico da Baixada Santista (SBS).
Esgotos clandestinos e balneabilidade
Mesmo com a potencialização dos novos emissários, a cidade vivia com um problema de difícil solução: garantir a balneabilidade de suas praias. Consolidada como destino turístico paulista, Santos tentava de tudo para evitar as críticas sobre a qualidade da sua água do mar. Nos anos 80, Santos tentou coibir as danosas ligações clandestinas, que despejavam o esgoto de casas no sistema pluvial, que chegava aos canais e, consequentemente, ao mar. A quantidade de coliformes fecais era tanta nas águas do sistema de drenagem, que bastava uma chuva forte na cidade para que, no dia seguinte, as praias fossem condenadas para o banho de mar.
Para piorar, as velhas comportas, nos anos 80, ainda eram as mesmas do sistema de Saturnino de Brito e careciam de substituição, o que só veio a ocorrer em meados da década de 90. Durante alguns anos, a Prefeitura realizou testes para detecção de ligações clandestinas, obtendo bons resultados, ajudando a conter o avanço da poluição nos canais e, consequentemente, nas praias.
Onda Limpa
No Século XXI, Santos voltou a encarar uma nova perspectiva de crescimento e testemunhou uma grande fase de construções, com o surgimento de edifícios com até 40 pavimentos, o que gerou grande impacto no sistema de saneamento.

Para não remediar a situação, o Governo do Estado, por meio da Sabesp, voltou a investir no sistema coletor e na ampliação da Estação de Pré-Condicionamento de Esgotos do José Menino, que passou a tratar 5,3 litros por segundo, aumentando o índice de coleta de esgotos de Santos e São Vicente.

Além disso, implantou um novo Interceptor (batizado de Rebouças) com 2.200 metros de extensão, desta vez na Avenida Francisco Glicério, entre a Avenida Conselheiro Nébias e a EPC; promoveu a reforma e ampliações de Estações Elevatórias de Esgotos e a adequação do sistema de admissão de água dos canais 1 a 6 para o antigo Interceptor Oceânico.

No emissário submarino, promoveu a extensão mar adentro em mais 400 metros, incluindo a instalação de novos difusores.
O Emissário Submarino vira Parque
O aterro que envolveu o emissário submarino, na praia do José Menino, se tornou, ao longo dos anos seguintes à sua liberação, no final dos anos 70, num enorme “elefante branco” para a cidade. Num primeiro momento houve a promessa, por parte da Sabesp, de retirá-lo, o que, tecnicamente, seria bastante complicado, em razão das tubulações do emissário oceânico.
Assim, durante toda a década de 1980 e parte da década seguinte, o “pier” virou campo de ninguém, sendo ocupado por pessoas de todos os tipos, principalmente marginais.
Foi a partir da segunda metade da década de 1990 é que se começou a pensar num propósito turístico para o espaço. Inúmeras foram as propostas arquitetônicas apresentadas, para parques aquáticos, um novo aquário, o Museu Pelé e complexos de lazer, mas todas esbarravam na legislação federal e nas exigências da Secretaria do Patrimônio da União (SPU).
Ao final, em 2006, depois de muita briga na Justiça, Santos garantiu o direito de instalar no Emissário do José Menino um complexo de lazer, que levou o nome Roberto Mário Santini, que fora diretor-presidente de A Tribuna, de 1990 a 2007.
O local, totalmente revitalizado, recebeu áreas de lazer para patinação e skate, uma arquibancada e uma torre para uso em competições de surf, além de um museu dedicado ao esporte das ondas e muitas áreas verdes. Um dos maiores atrativos é a escultura em aço idealizada pela renomada artista plástica Tomie Ohtake, cuja imagem foi criada como referência ao centenário da imigração japonesa ao Brasil.  


         
Fonte: Almanaque Santista, um boletim de curiosidades do Instituto Histórico e Geográfico de Santos
Fonte: Portal Memória de Santos
Apoio: Prefeitura de Santos, Fundação Arquivo e Memória de Santos e Sistema A Tribuna de Comunicação.

  
                              Inauguração do primeiro canal de Santos, o canal 1 - 1907

Desassoreamento do canal da Bacia do Macuco - canal 4 - década de 1940

Obras no canal 2 - década de 1940


                                                       Canal 3 - Av. Washington Luís - década de 1940