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sábado, 2 de fevereiro de 2013

Hotel é opção para diversificar aplicação


03/12/2012 - 05h30

Hotel é opção para diversificar aplicação


MARIA PAULA ALTRAN
DE SÃO PAULO
O bom momento da indústria hoteleira no país e a queda da taxa de juros --que tornou os investimentos em renda fixa menos rentáveis-- atrai investidores que querem diversificar suas aplicações.
Há duas opções para quem quer apostar nessa modalidade. Uma é comprar quartos em hotéis que estão sendo lançados ou que já estão em operação. Hoje, os mais comuns são os condo-hotéis, em que o quarto é apenas para locação, não pode ser usado pelo proprietário, como acontece com os flats.
O rendimento nesse caso é atrelado à ocupação do hotel, independentemente se o quarto do investidor, especificamente, foi locado ou não.
Por exemplo: se a ocupação do hotel foi de 70%, todos os investidores receberão o rendimento rateado depois de descontada a taxa da administradora do negócio.
De acordo com o diretor de desenvolvimento da Accor para a América Latina, Abel Castro, o rendimento para o investidor em quartos de condo-hotéis varia, em média, de 0,6% a 1% ao mês. Com a nova regra, a poupança hoje rende 0,41% ao mês.
Editoria de Arte/Folhapress
Outra opção é aplicar em um fundo imobiliário que investe em hotéis, ainda menos difundido no Brasil. O retorno é parecido: os investidores recebem o rateio do que o fundo ganhou descontada a taxa de administração.
O rendimento é sempre atrelado ao sucesso da operação de um ou mais empreendimentos.
A consultoria HotelInvest e o banco Ourinvest têm um fundo de investimento que aplica em hotéis --o único prioritariamente voltado para pessoas físicas encontrado pela Folha.
A cota começou negociada a R$ 100 em 2007 e hoje está em R$ 320 --não há Imposto de Renda. A empresa tem planos de estruturar um novo fundo em breve.
NEGÓCIOS
Como em geral não há garantia de retorno, os especialistas recomendam que o investidor faça um estudo aprofundado do potencial da região e conheça o empreendimento antes da aplicação.
"O Coliseu [em Roma] recebe a mesma quantidade de turistas por ano que o Nordeste. Nunca se desenvolve esse potencial, tem de ficar de olho no presente. Então, é indicado onde há turismo de negócios", afirma o educador financeiro Mauro Calil.
INVESTIMENTO
Os eventos esportivos que o Brasil vai sediar alavancam a infraestrutura do país e podem contribuir para o desenvolvimento do turismo.
Mas não devem ser o único motivo a pesar na decisão do investidor, já que a demanda é restrita por um curto período de tempo.
"Se você fala em comprar um quarto de hotel que tenha demanda, perto de um centro de convenções ou a uma rua comercial, em São Paulo, há uma demanda grande. Mas, se comprar em outro lugar, ela poderá não existir ou poderá haver uma procura pontual", diz o professor do Insper Alexandre Chaia.
A Accor, que está lançando hotéis em São Paulo após dez anos sem anunciar novos empreendimentos na capital, informa não desenvolver hotéis por causa da Copa do Mundo ou da Olimpíada.
A BHG lançou há dois meses um fundo de investimento em hotéis no qual a própria é investidora e que também é aberto a outros investidores, entre eles pessoas físicas, com valor de entrada mínimo de R$ 1 milhão.
Segundo Ricardo Levy, diretor da companhia, o mercado atrai pelo bom momento da economia, pela queda dos juros e porque já há demanda em algumas regiões por hotéis independentemente dos eventos esportivos programados para o país.
PERFIL
O perfil de hotel preferido hoje para investimento são os voltados para negócios, os mais econômicos, e aqueles com bandeiras conhecidas, segundo especialistas do setor.
São, em geral, condo-hotéis, em que os quartos são só para hóspedes e não dividem os corredores com quem mora no hotel.
Diferem dos flats, que lotaram São Paulo na década de 90 e, em seguida, não deram certo.
Os flats enfrentaram problemas de superoferta, diz o professor do Insper Alexandre Chaia, o que poderá acontecer de novo se o problema se repetir.
Para Abel Castro, da Accor, naquela época, os juros eram altos, havia crise e a performance hoteleira não era tão boa.
"Isso fez com que todo o segmento entrasse nas principais praças onde houve uma supercapacidade de hotéis", afirma.
Hoje, há mais informação disponível, um manual de boas práticas para o setor e as incorporadoras têm um pensamento mais responsável, diz Castro.
Além disso, é mais difícil e mais caro conseguir terrenos.

Baixada ganha uma nova Santos até 2020


24/06/2012 - 06h40

Baixada ganha uma nova Santos até 2020


AGNALDO BRITO
ENVIADO ESPECIAL A SANTOS, fsp


O Brasil que mais cresceA maior expansão econômica da Baixada Santista em 50 anos vai atrair 400 mil pessoas para a região até 2020. Isso equivale ao surgimento de uma nova cidade de Santos num prazo de oito anos.
Com 1,6 milhão de habitantes, a região metropolitana da Baixada, que congrega nove municípios e onde está situada parte da maior porção contínua de mata atlântica preservada do país, vive uma febre de investimentos.
As estimativas do poder público apontam a cifra de R$ 22 bilhões, já radiografados. Grande parte desse dinheiro será aplicada no porto de Santos, o maior complexo portuário do país.

Nessa conta, entretanto, também estão os primeiros empreendimentos da Petrobras na região. Santos será o quartel-general do pré-sal e a chegada forte da estatal desencadeou uma corrida imobiliária sem precedentes.
Eduardo Knapp - 12.jun.2012/Folhapress
Obras em terminal no porto de Santos
Obras em terminal no porto de Santos
Corrida que fez triplicar o valor dos terrenos e duplicar o valor do metro quadrado construído em áreas nobres.
Em Santos, 77 edifícios foram construídos entre 2005 e 2011 e outros 134 projetos estão em obras; a prefeitura avalia se libera outros 77.
No porto, local em que o plano é mais do que duplicar a capacidade para trânsito de carga até 2024, dois grandes terminais de contêineres estão em construção. São projetos que devem manter Santos como a principal porta de entrada e saída num raio de cerca de 1.000 quilômetros.
DESAFIO
Espremida entre o mar e o paredão da serra, a Baixada Santista tem imensos desafios. Os novos investimentos vão encontrar uma região com problemas ambientais e sociais. Hospitais, escolas e força policial hoje não são suficientes para atender a demanda prevista; já há deficit de moradias, e o transporte público regional é precário.
A ocupação irregular em morros ou à beira-mar é comum. No Guarujá, duas ocupações simbolizam décadas do descaso do poder público e como expansão econômica não significa, necessariamente, equidade social.
As favelas da Conceiçãozinha e da Prainha estão dentro do porto, margem esquerda do estuário. Alvo do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), a remoção dos moradores não avança.
A situação das mais de 1.500 famílias é de absoluta precariedade. Porta de saída do agronegócio, parte dos 25% do comércio exterior nacional cruza diariamente a favela. Trens com mais de 60 vagões de soja ou de contêineres ameaçam homens, mulheres e, sobretudo, crianças.
"É triste, mas a prometida remoção das famílias atrasou. É problema com a construtora, é mudança de projeto, é erro no cálculo da terraplenagem", diz Carlos Souza, o Carlinhos, líder da Prainha.
A prefeita do Guarujá, Maria Antonieta de Brito (PMDB), diz que há plano de regularização fundiária e assentamento das famílias.
Só o Guarujá tem um deficit de 35 mil moradias. Mas, além de resolver o problema, a cidade tem de evitar novas ocupações. Para isso, foi criada até uma força-tarefa para derrubar casa irregular.
Com o crescimento populacional previsto para os próximos anos, o risco de haver novas invasões é tão real quanto a febre de investimentos que toma conta da região.
Eduardo Knapp - 12.abr.2012/Folhapress
Vista geral da favela Prainha, às margens do Porto de Santos
Vista geral da favela Prainha, às margens do Porto de Santos
Editoria de Arte/Folhapress

Novo ciclo pagará conta de falta de planejamento integrado


AGNALDO BRITO
ENVIADO ESPECIAL A SANTOS
O Brasil que mais cresceOs bilhões de reais aplicados na Baixada Santista nos últimos anos terão de bancar a conta deixada pelos ciclos de crescimento do passado.
É essa, em essência, a expectativa que consta do plano metropolitano elaborado pelos nove municípios que compõem a área.
Baixada ganha uma nova Santos até 2020
"O momento que atravessamos, com os investimentos privados e públicos, é o mais adequado para fazer o resgate das dívidas acumuladas ao longo da história", afirma o prefeito de Santos, João Paulo Tavares Papa (PMDB).
A meta agora é organizar o planejamento metropolitano no mesmo ritmo em que ocorre o boom econômico, o que a região jamais conseguiu.
Prefeitos da Baixada admitem a dívida social e também a ambiental, mas apontam o deficit habitacional como o principal desafio. Apenas 5% da área total da Baixada, cercada por áreas de preservação, resta para ser ocupada.
"Entre todos os problemas, a carência habitacional é a maior. A região ficou anos sem projeto de moradia de interesse social. A demanda reprimida é enorme", diz Papa. Hoje, 33,2% das moradias são inadequadas, ou 165 mil.
A organização da região metropolitana, com algum consenso sobre prioridades, pode, enfim, ligar o planejamento com o orçamento.
"É uma mudança que representa, de fato, uma novidade em relação ao que se fazia no passado", disse Débora Blanco, diretora técnica da Agência Metropolitana da Baixada Santista.
MOBILIDADE
Um dos grandes desafios é descentralizar as oportunidades de trabalho. A concentração da oferta na porção em que está Santos, localizada na ilha de São Vicente, força o deslocamento diário de um exército de trabalhadores entre as cidades da região.
Estudos do governo paulista mostram que mais de 740 mil pessoas deixam, todo dia, a cidade em que moram na Baixada para ir ao trabalho.
"Isso representa cerca de 60% da força de trabalho da região. É preciso que essas pessoas tenham oportunidades [mais próximas] de trabalho para que não precisem se deslocar pela região todas as manhãs", afirma Débora.
Milhares de trabalhadores usam hoje as ciclovias. Oriundos de Santos, São Vicente ou Guarujá, rumam principalmente para o porto.
Um acordo regional, porém, promete criar o primeiro transporte público sobre trilhos na Baixada, o VLT (Veículo Leve sobre Trilhos).
A estrutura é modesta: 11,3 quilômetros de extensão, interligando São Vicente ao porto de Santos, na região do Valongo. Poderá transportar 45 mil pessoas por dia.
O governo do Estado abriu a licitação para a compra das 22 composições que operarão nesse trecho e prevê concluir essa concorrência no mês que vem. A previsão para o início da operação do VLT é o primeiro semestre de 2014.
SANEAMENTO
O Programa Onda Limpa, de saneamento básico, mira ainda o atendimento da população atual, não a futura.
Foram construídos sete estações de tratamento, duas de pré-condicionamento e o emissário submarino de Praia Grande. A coleta de esgoto atinge 80% da população.
Há um plano de investimentos de R$ 1 bilhão para elevar a coleta a 100%.

Análise: Crescimento gera especulação e alta de imóveis


ROY MARTELANC
ESPECIAL PARA A FOLHA

O Brasil que mais cresceLevantamentos recentes mostram que, em 2011, os imóveis valorizaram perto dos 30% em cidades como Santos e Campinas. Esses aumentos de preço são até maiores que os constatados em São Paulo, com seus 25%.
Isso se deve a dois fatores. O primeiro: as cidades vizinhas à capital têm vida econômica cada vez mais forte.

Santos, além de ser um lugar lindo para morar, tem o maior porto organizado do país e vive o boom do pré-sal, com a chegada da Petrobras e de seus fornecedores.
Campinas -e região- tem uma indústria moderna e competitiva e há décadas se consolidou como o principal parque industrial do Estado.
Além disso, o crescimento econômico atrai pessoal qualificado e gera necessidades habitacionais. A renda gerada é canalizada ao consumo de todo tipo de produtos e serviços, inclusive imóveis.
Como distância se mede em minutos e reais, e não em quilômetros, é razoável alguém morar em cidades próximas e trabalhar em São Paulo -dependendo do bairro paulistano em que a pessoa viveria, o tempo de deslocamento não é muito maior.
O custo de transporte é um pouco mais alto por causa dos pedágios, do combustível e da manutenção do carro, mas a distância, medida em minutos e reais, é mais leve para aqueles que podem trabalhar à distância e não precisam estar em São Paulo todos os dias da semana.
O ônibus fretado, que é mais barato, permite viajar dormindo ou fazendo amigos, mas é uma solução melhor para quem tem empregos com horários rígidos.
A compensação de morar em cidades próximas à capital está na qualidade de vida. Com o mesmo dinheiro de um apartamento normal em São Paulo, compra-se uma magnífica casa em um condomínio fechado ou um apartamento perto da praia.
Imóvel mais agradável, maior sensação de segurança, ambiente mais amigável aos filhos e menor custo de vida já levaram muitos paulistanos a optar por morar nas prósperas cidades vizinhas.
Para esses municípios, essa demanda de gente de fora aumenta os preços dos imóveis, tanto para quem chega como para quem é da cidade.
Esses dois fatores -o desenvolvimento da cidade e a chegada de moradores oriundos da capital- geram demanda real e provocam o aumento dos preços.
Há ainda outro fator, derivado. Em imóveis, a exemplo de outras atividades que têm face especulativa, crescimento chama crescimento.
Algumas pessoas avistam um boom imobiliário e passam a desejar obter bons ganhos em relativamente pouco tempo e mediante um risco baixo, na visão delas.
Essas pessoas correm para comprar um imóvel na planta, na certeza de poder vendê-lo com bom lucro em um par de anos. O comportamento especulativo eleva ainda mais a demanda natural dos imóveis e seus preços.
ROY MARTELANC é professor de finanças da FEA-USP e coordenador da pós em negócios do mercado imobiliário da FIA.